Finalmente saímos das entranhas da terra. Estamos fora da caverna, aos pés de uma enorme montanha, cujo cume encontra-se encoberto por nuvens. Tudo o que vemos é neve e gelo, até o horizonte. Aproveitando que encontramos alimento (pequenos animais alados que viviam na saída da caverna), três irmãos partiram para averiguar as redondezas (Dois, Cinco e Sete), para decidirmos qual caminho seguir, enquanto nos recuperamos um pouco mais dos nossos ferimentos.
Tenho a certeza que enfrentaremos uma longa jornada, independente de qual seja o nosso caminho.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
NOVA GENESE: Dia 1, de um sono profundo, por Oito
De um sono profundo despertei. Sem passado e lembranças, não sabia onde eu estava ou quem era. Vozes ecoavam na escuridão, vozes distintas. Fechei os olhos tentando retornar ao meu sono seguro e ignorante. Entretanto, uma força selvagem e inquieta não me deixou adormecer. Essa força estava dentro de mim, ela queria correr, gritar, se movimentar. Levantei e vi outros extremamente semelhantes a mim. E, mesmo sem saber quem eram, eu nutria um sentimento de família sobre eles.
Acordei meus irmãos e tentei manter todos unidos. O instinto de sobrevivência. Fútil foi minha tentativa. Conheci a traição, conheci a dor, conheci a raiva, conheci a fome.
Meu irmão me batizou de oito mas... quero ser chamado de Venge.
Acordei meus irmãos e tentei manter todos unidos. O instinto de sobrevivência. Fútil foi minha tentativa. Conheci a traição, conheci a dor, conheci a raiva, conheci a fome.
Meu irmão me batizou de oito mas... quero ser chamado de Venge.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
NOVA GENESE: Dia 39, além da caverna, por Doze
Eu e meus irmãos passamos os 30 dias seguintes nos curando dos ferimentos que sofremos ao cair do precipício, ferimentos mortais que não nos mataram.
Devíamos estar mortos com a queda mas não estamos. Mas não me iludo; não somos imortais. Enquanto nos recuperávamos, caminhamos, procurando alimentos, água e uma saída daquele buraco. Em nossas buscas encontramos um irmão, que havia descido antes, e que jazia, realmente, morto. Então, só posso concluir que somos extremamente fortes mas não imortais.
Não consigo deixar de pensar: o que somos, afinal?
Devíamos estar mortos com a queda mas não estamos. Mas não me iludo; não somos imortais. Enquanto nos recuperávamos, caminhamos, procurando alimentos, água e uma saída daquele buraco. Em nossas buscas encontramos um irmão, que havia descido antes, e que jazia, realmente, morto. Então, só posso concluir que somos extremamente fortes mas não imortais.
Não consigo deixar de pensar: o que somos, afinal?
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
NOVA GENESE: Dia 9, além da caverna, por Doze
Levamos sete dias para abrir as passagens pela caverna. Neste meio tempo, já intuindo nossa jornada, nos preparamos improvisando ferramentas, mantimentos e vestimentas para nos proteger contra as agressões do tempo.
Além das passagens, encontramos longos corredores que reservavam surpresas para nós. Um dos caminhos, ascendente, nos levou a uma saída congelada. Dava para ver a luz que atravessava os blocos de gelo. Mas resolvemos seguir pelo outro caminho, descendente.
Me enganei ao crer ser mais fácil. Encontramos um lagarto de pedra colossal que quase matou um companheiro e caímos em um precipício.
Sim, caímos. Em um precipício. Todos, sem exceção. Uma queda de dezenas de metros de altura. Ao tocar o solo, morríamos. Um a um, como o desfolhar de uma árvore no outono. Os ossos quebrados, os órgãos vitais perfurados, o gosto de sangue na boca.
Não sei que estranho sentimento de ansiedade foi este que nos levou a tentar descer o paredão, sem ter a perícia necessária, um após o outro, ignorantes do perigo eminente. O que sei é que caímos, como frutos do alto de uma árvore. E morremos.
Além das passagens, encontramos longos corredores que reservavam surpresas para nós. Um dos caminhos, ascendente, nos levou a uma saída congelada. Dava para ver a luz que atravessava os blocos de gelo. Mas resolvemos seguir pelo outro caminho, descendente.
Me enganei ao crer ser mais fácil. Encontramos um lagarto de pedra colossal que quase matou um companheiro e caímos em um precipício.
Sim, caímos. Em um precipício. Todos, sem exceção. Uma queda de dezenas de metros de altura. Ao tocar o solo, morríamos. Um a um, como o desfolhar de uma árvore no outono. Os ossos quebrados, os órgãos vitais perfurados, o gosto de sangue na boca.
Não sei que estranho sentimento de ansiedade foi este que nos levou a tentar descer o paredão, sem ter a perícia necessária, um após o outro, ignorantes do perigo eminente. O que sei é que caímos, como frutos do alto de uma árvore. E morremos.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
NOVA GENESE: Dia 1, o caminhar, por Doze
Então, despertamos. Alguns se levantaram, outros não. Alguns quiseram continuar na letargia, outros partiram para caminhar. Eu preferi observar... e tentar entender a nossa condição.
O monolito que velávamos era realmente impressionante. Uma grande rocha, negra, com símbolos luminosos. Mas, no final das contas, a rocha era apenas isto. Pouco nos esclarecia.
Sua luz chegava até um certo limite. Enquanto alguns hesitavam em avançar pela escuridão, outros o fizeram com desenvoltura. E, com o passar do tempo, descobrimos como era na totalidade o nosso lar.
O monolito e nós descansávamos em uma coluna, no centro de uma gigantesca caverna. Havia centenas, milhares de outras rochas, similares à primeira, igualmente tomadas por estranhos símbolos, circulando a coluna. As rochas estavam enfileiradas, formando uma espiral que começava na grande rocha, na coluna. A última rocha da fila tinha a metade do tamanho das outras, como se tivesse nascido e crescesse ainda, para se igualar às outras.
A luz das rochas perfiladas iluminava o restante da caverna. E todo um ecosistema ali existia. Gramíneas, árvores frutíferas de pequeno porte, água, insetos e pequenos mamíferos coexistiam e sobreviviam do que a caverna podia lhes prover. Nos dias que ali passamos, foi deles que sobrevivemos.
Mas havia mais. A caverna, em suas extremidades, nos oferecia dois caminhos, duas saídas, bloqueadas por desmoronamentos. As duas saídas igualmente impedidas só reforçavam, em mim, a teoria de que havíamos sido enterrados naquele lugar propositalmente. Mas nada disto parecia incomodar os meus ativos irmãos, que já trabalhavam para liberar as passagens.
Logo percebi qual era o nosso caminho. Qualquer que fosse a saída escolhida, nosso futuro estava além daquela caverna.
O monolito que velávamos era realmente impressionante. Uma grande rocha, negra, com símbolos luminosos. Mas, no final das contas, a rocha era apenas isto. Pouco nos esclarecia.
Sua luz chegava até um certo limite. Enquanto alguns hesitavam em avançar pela escuridão, outros o fizeram com desenvoltura. E, com o passar do tempo, descobrimos como era na totalidade o nosso lar.
O monolito e nós descansávamos em uma coluna, no centro de uma gigantesca caverna. Havia centenas, milhares de outras rochas, similares à primeira, igualmente tomadas por estranhos símbolos, circulando a coluna. As rochas estavam enfileiradas, formando uma espiral que começava na grande rocha, na coluna. A última rocha da fila tinha a metade do tamanho das outras, como se tivesse nascido e crescesse ainda, para se igualar às outras.
A luz das rochas perfiladas iluminava o restante da caverna. E todo um ecosistema ali existia. Gramíneas, árvores frutíferas de pequeno porte, água, insetos e pequenos mamíferos coexistiam e sobreviviam do que a caverna podia lhes prover. Nos dias que ali passamos, foi deles que sobrevivemos.
Mas havia mais. A caverna, em suas extremidades, nos oferecia dois caminhos, duas saídas, bloqueadas por desmoronamentos. As duas saídas igualmente impedidas só reforçavam, em mim, a teoria de que havíamos sido enterrados naquele lugar propositalmente. Mas nada disto parecia incomodar os meus ativos irmãos, que já trabalhavam para liberar as passagens.
Logo percebi qual era o nosso caminho. Qualquer que fosse a saída escolhida, nosso futuro estava além daquela caverna.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
NOVA GENESE: Dia 1, o levantar, por Doze
É estranho. Tudo é muito estranho. Eu já tinha despertado outras vezes, sozinho, mas confesso que não tive coragem de me levantar. Não sei quem sou, não sei o que sou, não tenho passado, não sinto necessidades... Porque me levantaria? Porque sair da letargia onde eu vivia?
Mas, desta vez, não despertei sozinho. Meus irmãos acordaram comigo. E um deles me questionou porque eu não me levantava. E foi o que fiz.
Como disse antes, somos iguais. Fisicamente, mas, agora, ao despertar, notei a primeira diferença entre nós. Nossas vozes são diferentes. Alguns são mais firmes, outros mais quietos. Alguns são mais graves, outros agudos. Alguns são calados, outros não se calam. Então, ao contrário do que eu pensava, não somos a mesma pessoa. Somos pessoas diferentes.
Numerei meus irmãos de um a doze. Eu sou o número Doze.
Mas, desta vez, não despertei sozinho. Meus irmãos acordaram comigo. E um deles me questionou porque eu não me levantava. E foi o que fiz.
Como disse antes, somos iguais. Fisicamente, mas, agora, ao despertar, notei a primeira diferença entre nós. Nossas vozes são diferentes. Alguns são mais firmes, outros mais quietos. Alguns são mais graves, outros agudos. Alguns são calados, outros não se calam. Então, ao contrário do que eu pensava, não somos a mesma pessoa. Somos pessoas diferentes.
Numerei meus irmãos de um a doze. Eu sou o número Doze.
NOVA GENESE: Dia 1, o despertar, por Doze
Como tudo no universo, acredito, minha história começou na escuridão. Nasci em um buraco, junto com meus irmãos. Nascemos com consciência, mas sem conhecimento. Formados, mas sem formação. É uma situação muito estranha: saber tanto e não saber nada.
O que sei é que acordei em uma caverna, ao lado de onze almas gêmeas, iguais física e espiritualmente. Despertamos diante de uma rocha negra que nos aquecia. Uma rocha enorme, um monolito, muitas vezes o nosso tamanho, reluzente, com estranhos símbolos luminosos que pareciam dançar diante dos nossos olhos. A luz pífia que emitia a rocha não era suficiente para mostrar o alto do salão onde estávamos. Acordamos juntos e, juntos, nos fitamos. Não nos conhecíamos mas sabíamos que éramos irmãos. Sentíamos isto. Não sentíamos medo, ansiedade ou tristeza. Apenas curiosidade. Pelo menos, eu me sentia muito curioso.
Isto é o que sei até agora. O que não sei é quem somos, de onde viemos, porque estamos aqui. Acabei de despertar para um novo mundo e pretendo descobrir o que tudo isto significa.
O que sei é que acordei em uma caverna, ao lado de onze almas gêmeas, iguais física e espiritualmente. Despertamos diante de uma rocha negra que nos aquecia. Uma rocha enorme, um monolito, muitas vezes o nosso tamanho, reluzente, com estranhos símbolos luminosos que pareciam dançar diante dos nossos olhos. A luz pífia que emitia a rocha não era suficiente para mostrar o alto do salão onde estávamos. Acordamos juntos e, juntos, nos fitamos. Não nos conhecíamos mas sabíamos que éramos irmãos. Sentíamos isto. Não sentíamos medo, ansiedade ou tristeza. Apenas curiosidade. Pelo menos, eu me sentia muito curioso.
Isto é o que sei até agora. O que não sei é quem somos, de onde viemos, porque estamos aqui. Acabei de despertar para um novo mundo e pretendo descobrir o que tudo isto significa.
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